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Marcos Resende Coisas

Marcos Resende Coisas

Coisas de Gabriel García Marquez

  

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Índice Poema ◦ Índice Geral 

 

01.
A sabedoria é algo que quando nos bate à porta já não nos serve para nada.

02.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.

03.
Quero-te não exatamente por quem tu és, mas por quem eu sou quando estou contigo.

04.
Todos temos três vidas: A vida pública, a vida privada, e uma vida secreta.

05.
Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.

06.
A vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la.

07.
Como provar aos homens o quanto estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem, justamente, quando deixam de se apaixonar?!

08.
Dou valor às coisas, não por aquilo que valem, mas por aquilo que significam.

09.
Um verdadeiro amigo é alguém que pega a sua mão e toca o seu coração.

10.
O que você viveu ninguém rouba.

11.
Todo mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpada.

12.
Pensou confusamente, enfim capturado numa armadilha da saudade, que talvez se tivesse se casado com ela teria sido um homem sem guerra e sem glória, um artesão sem nome, um animal feliz.

13.
A atmosfera estava tão úmida que os peixes poderiam entrar pelas portas e sair pelas janelas, navegando no ar dos aposentos.

14.
O mundo avança. Sim, respondi, avança, mas dando voltas ao redor do sol.

15.
O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.

16.
Nunca teve pretensões a amar e ser amada, embora sempre nutrisse a esperança de encontrar algo que fosse como o amor, mas sem os problemas do amor.

17.
Em que e em quem acreditar? Como descartar a parcialidade das versões e o espelho quebrado da memória dos envolvidos.

18.
Assim foi. Numa sexta-feira, às duas da tarde, iluminou-se o mundo com um sol bobo, vermelho e áspero como poeira de tijolo e quase tão fresco como a água, e não voltou a chover durante dez anos.

19.
Nas tardes de chuva, bordando com um grupo de amigas na varanda das begônias, perdia o fio da conversa e uma lágrima de saudade lhe salgava o céu da boca quando via as faixas de terra úmida e os montículos de barro construídos pelas minhocas no jardim.

20.
Na hora, pensei que um dos encantos da velhice são as provocações que as amigas jovens se permitem, achando que a gente está fora do jogo.

21.
— Neste povoado não mandamos com papéis — disse sem perder a calma. — E para que fique sabendo de uma vez, não precisamos de nenhum delegado, porque aqui não há nada para delegar.

22.
Desconcerta-me tanto pensar que Deus existe como que não existe.

23.
A fama é uma senhora muito gorda que não dorme com a gente, mas quando a gente desperta ela está sempre olhando para nós, aos pés da cama.

24.
O mais importante que aprendi a fazer depois dos quarenta anos foi a dizer não quando é não.

25.
Mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão a luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.

26.
O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de se fazer o amor, e é preciso tornar a reconstruí-lo todas as manhãs antes do café.

27.
Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade.

28.
O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão.

29.
A idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente.

30.
Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma.

31.
Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado.

32.
Porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra.

33. 
A vida é uma sucessão contínua de oportunidades.

34.
Se tem uma coisa que eu detesto nesse mundo são as festas obrigatórias em que as pessoas choram porque estão alegres, os fogos de artifício, as musiquinhas chochas, as grinaldas de papel de seda que não têm nada a ver com um menino que nasceu há 2 mil anos num estábulo indigente.

35.
Andava à deriva, sem afetos, sem ambições, como uma estrela errante no sistema planetário de Úrsula. (Cem Anos de Solidão)

36.
Eu sou quem você não procura.

37.
A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas, de fora os outros reparam.

38.
Para escrever, temos de estar convencidos de que somos melhores do que Cervantes; caso contrário, acabamos por ser piores do que na realidade somos.

39.
Ela lhe perguntou, num daqueles dias, se era verdade, como diziam as canções, que o amor tudo podia. — É verdade —  respondeu ele, mas será melhor não acreditares.

40.
Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.

41.
Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir.

42.
Uma comoção descomunal imobilizou-a no seu centro de gravidade, plantou-a no lugar, e a sua vontade defensiva foi demolida pela ansiedade irresistível de descobrir o que eram os apitos alaranjados e os balões invisíveis que a esperavam do outro lado da morte.

43.
A censura não presta para nada, já se sabe. Mas o bom escritor deve convencer até os censores.

44.
A única coisa certa é que não faço outra coisa senão escrever.

45.
As coisas têm vida própria.

46.
Teria podido se guiar pelo cheiro, se o cheiro não andasse em toda a casa, tão enganoso e ao mesmo tempo tão definido como tinha estado sempre na sua pele.

47.
Rebeca se levantou à meia-noite e comeu punhados de terra no jardim, com avidez suicida, chorando de dor e fúria, mastigando minhocas macias e espedaçando os dentes nas cascas de caracóis.

48.
Enquanto isso, Melquíades acabou de plasmar nas suas placas tudo o que era plasmável em Macondo e abandonou o laboratório de daguerreotipia aos delírios de José Arcadio Buendía, que tinha resolvido utilizá-lo para obter a prova científica da existência de Deus.

49.
De certo modo, Aureliano José foi um homem alto e moreno que durante meio século lhe foi anunciado pelo rei de copas, e que como todos os enviados pelo baralho chegou ao seu coração quando já estava marcado pelo signo da morte. Ela viu isso nas cartas.

 

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