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Marcos Resende Coisas

Marcos Resende Coisas

Coisas de Juca Chaves

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01.
1950. Nessa época o Brasil ainda era em preto e branco. Chamávamos a professora de senhora, e não de tia, que naquele tempo significava proprietária de casa na zona. Dizia-se por favor e obrigado. No ônibus, cedia-se o lugar aos idosos, sem assaltá-los. Acreditava-se na existência da honestidade, da lua com São Jorge, e até de virgem no Rio de Janeiro. Éramos pobres, mas poucos. Hoje somos muitos e miseráveis. Acho que Deus gosta de pobres, por isso fez tantos. Mais importante que a televisão era o rádio, ainda de válvulas. Demorava para ligar, igual cabeça de entrevistado em pesquisa de televisão nas ruas. A TV tinha dois problemas: o horizontal e o vertical. Agora somos a quarta no mundo. Em ignorância infinitesimal. Mas em cores...

02.
Vou tentar o meu segundo milhão de dólares! O primeiro, eu não consegui, mesmo...

03.
A riqueza de um homem se mede pelo que ele gasta, não pelo que ele ganha.

04.
Eu não estou gordo. Tenho 1.64 m e peso 70 quilos. Se eu tivesse 1.90 m seria magro. Portanto, eu não preciso emagrecer; preciso crescer.

05.
Se eu tivesse mais 20 centímetros e mais 20 milhões, não precisaria ter os 20 centímetros.

06.
Sobre pena de morte: sou contra a pena e a favor da morte.

07.
A mulher, o futebol e o economista têm muito em comum: não possuem lógica.

08.
É um país de contrastes o nosso: os índios estudam e os estudantes pintam a cara.

09.
O publicitário é a única profissão no Brasil em que se almoça com dinheiro do patrão e no final do ano ainda dão prêmios para si próprios.

10.
A mulher ideal seria aquela que tivesse uma bundinha na frente e só um seio nas costas. Esteticamente pode parecer ridículo, mas pra dançar é excepcional.

11.
A diferença entre as sogras e a OLP é que com a OLP ainda se tem diálogo.

12.
Parente é como dente. Quanto mais separado, melhor para ser tratado.

13.
Baiano quando não está dançando, está ensaiando.

14.
No início era tudo esperança, embora no Brasil a esperança seja a única que morre.

15.
Creio que o sintetizador está para a música assim como o vibrador está para o sexo. O resultado parece o mesmo, a emoção é que faz a diferença.

16.
Ah, bons tempos aqueles em que heroína era Anita Garibaldi.

17.
Eu era um típico comunista: não tinha nada e ainda queria dividir com os outros. Em plena ditadura, o DOPS — Departamento de Ordem Política e Social — montou uma operação pente-fino e adotou-se a deduragem. Dizem que a polícia paulista prometeu:
1 fusca pra quem denunciasse 1 comunista;
2 fuscas pra quem denunciasse 2 comunistas;
3 fuscas pra quem denunciasse 3 comunistas;
e quem denunciasse 4 comunistas ia preso, pois conhecia comunista demais.

18.
Dizem que a semelhança entre os militares e os diplomatas é que ambos não trabalham, só que os militares começam mais cedo.

19.
O papa declarou na santa Roma, que não é lá tão santa, que, ao morrer um dia, gostaria de ter do seu lado direito um ministro italiano e do outro um deputado brasileiro. Pois gostaria de morrer como Jesus Cristo.
 

20.
Liberdade é como dinheiro: só lhe damos valor quando nos falta. E democracia é como uma trepada. Quando é boa, é muito boa! Quando é má, também é boa!

21.
A corrupção cresce na proporção da moeda norte-americana. Dólar é igual pênis de brasileiro: no paralelo, sobe todos os dias; no oficial, uma vez por semana.

22.
Diretas ou indiretas, eis a questão. Em 83, o povão saiu às ruas pelas Diretas Já, promovendo um grande show para as televisões. Na Academia Brasileira de Letras, comentavam: — Quanta gente sem trabalhar! Hoje é feriado? — Não, colega imortal. É pra votar pra presidente! — Por quê? O Venceslau Brás morreu?

23.
Logo que eleito, Jango subiu ao palanque e disse pro seu assessor: — O que é que eu falo pra esse povinho de merda? Responde o assessor: — Se eu fosse o senhor, presidente, começava pedindo desculpas, pois o microfone está ligado...

24.
Conta o anedotário de Brasília que o então ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, que no banheiro é o tenor concorrente do Pavarotti e no uísque do atual governador de Minas, foi detido por um guarda rodoviário que, desconfiado de sua dosagem alcoólica, sugeriu que ele desse quatro passos sobre a listra branca do asfalto. — O quê? — esbravejou o ministro. — Sem rede de proteção? NUNCA!

25.
Brasília, cidade dos sonhos de uns poucos que realizam o pesadelo de tantos.

26.
Ao contrário de Collor que é um pobre menino rico, Maluf é um rico empresário pobre. E tem manias de pobre, como acordar cedo e trabalhar. Seu grande adversário não tem partido. É o piano. Conta-se que após um recital, o camarim do Maluf foi invadido por um funcionário do IML: — Onde está o cadáver? — Mas aqui não morreu ninguém — argumentou o prefeito pianista. — É que estão dizendo que assassinaram um tal de Chopin...

27.
Durante a apresentação do balé de Nureyev e Margot Fontaine, o chefe do SNI, general Figueiredo, sussurrou: — Presidente, eu dormi durante o balé. Será que a platéia percebeu? Responde sussurrando o presidente Geisel: — Na platéia, não sei, mas no palco, sim, pois estão todos andando na ponta dos pés.

28.
Certo acidente na capital federal provocou um susto e uma piada. Um motorista, drogado ou bêbado, sei lá, entra com ônibus e tudo no Palácio do Planalto, destruindo metade do saguão. Mas foi sabiamente absolvido pela justiça. Segundo esta, o motorista era inocente, o palácio é que estava desgovernado.

29.
Se um dia eu tiver um motorista em Brasília, terá que ser mudo surdo e cego.

30.
Políticos! Não fossem eles, o povo não encontraria desculpas para seus fracassos.

31.
No momento, 5% da população não têm do que se queixar e 95% não têm pra quem se queixar.

32.
Em Brasília ligaram o ventilador: começou a voar deputado pra todo lado.

 

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